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Covid-19 afasta doadores do Banco de Sangue do HAJ

Destaque

Elciene Nunes e o filho José Miguel: campanha para arrecadação de sangue feita não apenas para ele (Foto: Fábio Lima)
Os pacientes que possuem câncer hematológico, ou seja, câncer no sangue, estão sofrendo com a diminuição nas doações de sangue desde o início da pandemia do coronavírus (Sars-C-V-2), que afastou muitos doadores. A demanda desses pacientes é maior porque dentre os pacientes oncológicos, são eles que costumam ter mais necessidade de transfusões. “Os pacientes com leucemia e linfomas, por exemplo, sofrem mais com essa questão porque a doença atrapalha diretamente a produção de sangue na medula óssea”, esclarece Leandro Bariani, médico do setor de Hematologia do Hospital de Câncer Araújo Jorge (HAJ).

Dessa forma, o paciente que tem câncer no sangue já chega no hospital debilitado e tende a necessitar mais de bolsas de sangue. “Eles ficam com anemia e com a contagem de plaquetas baixa. Com essa pandemia, por exemplo, se eles pegarem a Covid-19, a chance de desenvolverem a doença de forma mais grave por serem imunossuprimidos é alta”, esclarece Bariani. Além da própria doença, o tratamento que a combate também exige que os pacientes façam o uso de bolsas de sangue. “A quimioterapia tende a piorar esse quadro debilitado que eles já possuem”, explica o hematologista. Por isso, a demanda por sangue no hospital é tão alta. No HAJ, de janeiro a julho deste ano, foram usadas 6.777 bolsas de sangue, sendo que só em julho foram 1.041.

Queda
Entretanto, por conta da pandemia do coronavírus, apesar de a demanda seguir alta, o número de doações despencou. Apesar de até o momento não ter faltado sangue para nenhum paciente, o hospital tem trabalho no limite. De acordo com a biomédica do Banco de Sangue do HAJ, Kelly Alves, em março o banco recebeu 974 candidatos a doação. Em julho, foram só 653. “É preciso lembrar ainda que nem todos esses doaram efetivamente doam. Eles precisam passar por uma triagem e muitos são excluídos”, relata. Ela acredita que, por conta do cenário de alto contágio do coronavírus, as pessoas ficaram com medo de irem até a unidade de saúde. “No dia 28 de julho tínhamos apenas 162 concentrados de hemácias no banco, quando o mínimo é 498. Entramos em alerta”, relata.

Ela esclarece que o banco de sangue do HAJ é seguro e estimula as pessoas a fazerem doações (veja quadro ao lado). “Estamos seguindo todas as recomendações do Ministério da Saúde e não estamos permitindo aglomerações. Não são todas as poltronas de doações que estão sendo utilizadas, pois estamos respeitando o distanciamento mínimo, e após o uso de alguma delas, fazemos a higienização adequada”, relata Kelly. Além disso, a biomédica conta que todos os funcionários do local estão devidamente paramentados com Equipamentos de Proteção Individual (EPIs). Kelly explica ainda que a doação dura cerca de 15 minutos e que dentro de 72 horas o organismo já repõe a quantidade de sangue que foi extraída. “É um processo simples, que não é invasivo como as pessoas pensam e salva vidas”, pontua.

Pacientes
Um dos pacientes que precisaram de transfusão de sangue foi José Miguel Alves de Paraguassu, de apenas 4 anos. Depois de sentir dores no corpo e apresentar inchaço nas pernas, há cerca de 10 dias a família do garoto o levou para uma consulta, quando ele foi diagnosticado com leucemia. Ele já está na segunda sessão de quimioterapia e, apesar de debilitado, a mãe conta que o garoto está bem. “Ele é forte e vai conseguir passar por isso. Vamos vencer”, conta a designer de sobrancelhas Elcilene Nunes do Nascimento Alves, de 41 anos, que se assustou com a situação do banco de sangue do hospital. “Quando o José Miguel foi internado, começamos uma campanha nas redes sociais, que segue ativa, e conseguimos muitas doações”, conta a designer que mora em Carmo do Rio Verde. “Não sabíamos que o hospital precisava tanto assim. Estamos estimulando todo mundo que conhecemos a doar. Não é só pelo meu filho. É por todas as outras pessoas que estão internadas aqui também”, enfatiza.

O mesmo ocorreu com o pequeno Enzo Taveira Veiga, de 7 anos. Ele foi diagnosticado com leucemia e está internado há cerca de uma semana no HAJ. Neste período, o garoto já precisou de transfusão três vezes. “Há cerca de três dias ele teve uma hemorragia muito grande e quase morreu. Se não fosse a transfusão, ele não teria resistido”, conta a mãe do garoto, a auxiliar de serviços gerais, Sandra Taveira de Jesus, de 37 anos. Enzo ainda não começou a fazer a quimioterapia, mas a família já está se organizando para iniciar uma campanha de arrecadação de sangue para o garoto. “Quando a gente está do outro lado, não damos a importância devida. Hoje eu vejo o quanto isso pode salvar a vida de alguém. Sou muito grata a todo mundo que doou e ajudou meu filho sem nem mesmo conhecê-lo. Queria poder dar um abraço em cada um”, reflete Sandra.

Hospital tem aumento de demanda
Desde o início da pandemia do coronavírus (Sars-CoV-2), o Hospital de Câncer Araújo Jorge (HAJ) teve um aumento na demanda. “Nós não fechamos nenhum dia desde que a pandemia começou e acabamos absorvendo muitos pacientes que faziam procedimentos em outras unidades de saúde como, por exemplo, o Hospital das Clínicas (HC), da Universidade Federal de Goiás (UFG)”, esclarece Carlos Henrique Ribeiro do Prado, diretor técnico do HAJ.

A unidade de saúde não trata pacientes com a Covid-19, mas teve que contratar cerca de 200 funcionários extras, aumentar os gastos com Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) e reservar uma área de isolamento para pacientes com suspeita de estarem infectados com o vírus. “Os pacientes infectados são regulados para outras unidades de saúde. Entretanto, tivemos que nos preparar para lidar com possíveis casos suspeitos e absorver a demanda de pacientes que vieram de outras unidades de saúde”, esclarece Prado.

Doações
Por conta desse aumento e da diminuição das doações de sangue, o diretor técnico do HAJ explica que o hospital quase chegou a ficar sem realizar cirurgias. “Recentemente, teve uma sexta-feira em que tínhamos apenas 20 bolsas de sangue e eu tinha 40 cirurgias agendadas para a segunda seguinte. Como que eu permito que cirurgias fiquem atrasadas por conta disso?”, questiona Prado. Segundo ele, por conta dessa realidade, foi feito um mutirão entre os funcionários do local e familiares de pacientes. “Conseguimos levantar uma boa quantidade de sangue”, pontua.

Entretanto, por conta da finalidade que as bolsas de sangue são usadas no hospital, elas não duram tanto nos estoques como em outras unidades de saúde.

“Os procedimentos que fazemos nessas bolsas para que causem menos alergias quando usadas nos nossos pacientes, fazem com que elas tenham uma vida útil menor. Por isso, além de volume, precisamos de uma constância dos doadores, uma vez que quase todo paciente oncológico, em algum momento do tratamento, vai precisar de transfusão”, finaliza o ditor técnico do Araújo Jorge.

Como doar
O banco de sangue do Hospital Araújo Jorge recebe doações de qualquer tipo de sangue

O que é preciso?
Ter mais de 16 anos (Doadores menores de idade precisam estar acompanhados do responsável legal)

Pesar acima de 50 quilos
Ter um intervalo de no mínimo três horas da última refeição
Estar sem sintomas gripais e não ter tido contato com nenhuma pessoa com suspeita ou confirmação da Covid-19

Precisa de agendamento?
É possível agendar pelo telefone, mas não é obrigatório. Basta chegar até o banco e informar que quer fazer uma doação. É necessário passar por uma triagem para saber se está apto ou não a realizar o procedimento

Endereço: Rua 239, nº 181, Setor Leste Universitário - em frente ao Hospital de Câncer Araújo Jorge (HAJ)

Horário de funcionamento: 7h às 17h (de segunda a sexta-feira)
Contato: (62) 3243-7031

 

*Matéria publicada em 5 de setembro de 2020, no Jornal O Popular

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